ARCO E IRIS, PARTE I — JOÃO PEDRO
Um devaneio cuspido na lixeira,
só pra ter ido a miragem
Talvez eu ainda o pegue, depende de mim
Me sinto como nabucodonozor castigado, só não no mato
Deteste a miragem, não a culpe
Um pesadelo,
5 dias nele
Por que não a culpa?
Eu que coloquei a bigorna em mim,
eu que cuspi o devaneio.
Como era a miragem?
É assim:
A Miragem com cheiro doce,
cores belas,
mas ainda maldita,
A bigorna em mim,
e eu
na areia movediça.
Eu pego o devaneio? Talvez,
se não,
graças a Deus,
se sim,
graças a Deus.
Sinto me num FOR infinito,
mas
talvez
ele acabe,
muita coisa pode melhorar
ARCO E IRIS PARTE II — Yuri
O surreal quadro de Dali
ecoa em mim,
no espelho
há quatro olhos
e
quatro asas
formando a imagem.
Talvez
o imaginário seja popular,
mas
gosto de duvidar.
Me sinto como um Pablo Picasso
poeta que lê e escreve
com uma nova perspectiva,
poemas criados por outros irmãos sanguíneos.
E desse sangue, eis me,
um falso enganador
que engana a si mesmo
quando diz
que não sente dor,
mesmo sabendo o quanto doi…
E
como dói!
Mas não culpe o seu sangue ruim,
culpe quem te fez assim!
Quem te criou além de mim?
O surreal mundo da lua,
é
um mundo de lunáticos apaixonados como eu
pelo lado escuro da lua, e assim como a lua…
Há em nós sombras à espreita.
Um vampiro consumista do neo-sangue divino,
agora não mais espiritual, mas material,
o sangue monetário do divino.
Não pergunte porque Deus te abandonou
pergunte a si mesmo porque abandonou Deus.
E Deus…
(É surreal! Divino!
Aos olhos de Deus
somos todos iguais!
Como se fossemos cópias uns dos outros…
Cópias
das cópias
das cópias
das cópias
das cópias
das cópias…)
Se Deus…
(Nos fez assim, a sua imagem e semelhança,
seria Deus
a mais perfeita imperfeição?)
O que é
Deus?